Manifestação contra o feminicídio na Praça do Congresso em Manaus

A força da mobilização: centenas de pessoas se reuniram na Praça do Congresso para o ato contra o feminicídio.

Em um domingo de força e união, 7 de dezembro de 2025, mobilizações históricas contra o feminicídio reuniram milhares de mulheres em todo o Brasil, incluindo Manaus e as cidades do interior do estado Parintins e Manacapuru. Os atos, realizados ao entardecer, integraram uma grande jornada nacional que levou mulheres, familiares e apoiadores às ruas em diversas capitais e cidades. O Instituto Social Terra & Gente (ISTG) esteve presente em Manaus, reafirmando seu compromisso com os direitos e a segurança feminina. A iniciativa fez parte do movimento Levante Mulheres Vivas, articulado por coletivos femininos, organizações sociais e grupos de direitos humanos diante do aumento dos casos de violência de gênero no Brasil.

Em Manaus, a manifestação aconteceu na Praça do Congresso, no Centro Histórico. O espaço foi tomado por cartazes, faixas e palavras de ordem que pediam justiça, proteção e políticas públicas eficientes. A concentração contou com estudantes, trabalhadoras, representantes de movimentos culturais, artistas e lideranças feministas, com destaque para a atuação incisiva das mulheres articuladoras do ISTG. A Coordenadora Geral, Amélia S. Castro, e outras integrantes da base comunitária do Instituto garantiram que a voz da Zona Norte fosse ouvida na luta contra a violência. O clima foi de indignação, mas também de união e força coletiva.

Membros do ISTG com cartazes na manifestação
Representação feminina do ISTG na manifestação: a luta pela vida é pauta prioritária.

A mobilização lembrava casos que chocaram o país e que representam a impunidade, entre eles o de Deusiane Pinheiro. A soldado da Polícia Militar foi assassinada em Abril de 2015 dentro do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, e dez anos depois os policiais envolvidos nesse assassinato permanecem impunes, sem responsabilização efetiva. O nome dela foi repetido por manifestantes que exigiam respostas e fim da impunidade, cobrando justiça por um crime que é um símbolo da falha do sistema de segurança e justiça do estado.

No interior do Amazonas, as cidades de Parintins e Manacapuru também aderiram ao chamado nacional. Em Parintins, a manifestação ocorreu em frente à Catedral de Nossa Senhora do Carmo, onde participantes formaram um grande círculo simbólico pedindo respeito e segurança para todas as mulheres.

O cenário se repetiu em pelo menos vinte estados e no Distrito Federal. Na capital federal, mesmo sob chuva intensa, ministras, lideranças políticas e a primeira-dama Janja Lula da Silva se juntaram ao ato, reforçando a urgência do enfrentamento à violência de gênero. Falas destacaram a necessidade de ampliar a participação feminina na política, fortalecer mecanismos de proteção e garantir que mulheres de todas as origens, indígenas, negras, ribeirinhas, urbanas ou periféricas, tenham visibilidade e acesso a direitos.

As mobilizações ganharam ainda mais força após uma sequência de feminicídios noticiados nacionalmente. Os casos envolveram violência extrema, como mutilações, assassinatos dentro de instituições públicas e crimes cometidos por agentes de segurança. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica no último ano. Somente em 2024, mais de 1.400 mulheres foram mortas em razão de seu gênero e, em 2025, o número já supera 1.180 registros.

No Amazonas, o aumento dos feminicídios preocupa. O Atlas da Violência 2025 apontou crescimento de 26% nos casos entre 2023 e 2024. De acordo com dados da SSP-AM, dezenove mulheres foram vítimas desse crime somente entre janeiro e agosto deste ano.

As manifestações deste fim de semana reafirmam uma verdade dura, porém necessária, mulheres continuam sendo mortas pelo fato de serem mulheres. O Levante Mulheres Vivas surge como uma resposta coletiva que busca transformar indignação em ação, cobrança e consciência social. O Instituto Social Terra & Gente esteve lado a lado com todas as mulheres, mostrando que a luta pela vida é pauta prioritária da nossa organização social e comunitária.

Instituto Social Terra & Gente

Comunicação Institucional