Michel Foucault nos ensinou que o poder moderno não se sustenta apenas pela força explícita, mas pela capacidade de disciplinar corpos, organizar tempos, delimitar espaços e produzir subjetividades obedientes. São os chamados corpos dóceis: úteis, silenciosos e adaptados à desigualdade.
Ao longo de 2025, o Instituto Social Terra & Gente atuou exatamente no ponto de fricção dessa lógica.
Nossas ações não foram neutras. Estar nas ruas no Dia Internacional da Mulher, denunciar o feminicídio, ocupar espaços de debate internacional sobre justiça climática, fortalecer juventudes periféricas no empreendedorismo e na inovação social, ou defender o serviço público em meio à Reforma Administrativa, são gestos que rompem com a expectativa de passividade imposta às periferias amazônicas.
Quando mulheres das comunidades caminham pelo centro de Manaus com cartazes nas mãos, seus corpos deixam de ser apenas alvos de estatísticas e passam a ser corpos políticos. Quando jovens da Zona Norte ocupam espaços como o Demoday da Aceleradora Salto, eles rompem com a narrativa de que inovação não nasce na periferia.
Quando o Instituto leva a voz comunitária ao VIII Congresso Internacional da CPLP, desmonta-se a ideia de que apenas especialistas legitimados podem falar sobre território, clima e futuro.
As Brechas do Poder
Foucault nos lembra que o poder circula. E onde ele circula, também surgem brechas. O ISTG atua exatamente nessas brechas.
Nossa presença em oito territórios, impactando cerca de 650 pessoas, não se resume a números. Trata-se de disputar sentidos: quem pode falar, quem pode decidir, quem pode existir com dignidade. Cada ação cultural, cada mobilização de rua, cada feira de economia solidária, cada espaço de formação rompe, ainda que parcialmente, com a lógica que tenta transformar gente em engrenagem.
Até mesmo nossa forma de sustentar o Instituto é política. Ao mobilizar quase R$ 64 mil em capacidade real de ação, combinando recursos financeiros e valor social gerado por trabalho voluntário e parcerias, reafirmamos que a solidariedade organizada também é uma forma de resistência ao modelo que mercantiliza tudo, inclusive o cuidado e a vida.
Para 2026
Encerrar 2025 é reconhecer que não produzimos corpos dóceis. Produzimos corpos conscientes, capazes de questionar, propor e agir.
Às vésperas do Natal e de um novo ano, reafirmamos: esperança não é disciplina disfarçada. É prática cotidiana, coletiva e situada no território.
Em 2026, seguiremos em movimento.
Porque corpos que se movem não se deixam domesticar.
Instituto Social Terra & Gente
Compromisso, transparência e luta ✊🏽